domingo, 15 de abril de 2012

A casa

Como de fora as paredes.
Lembranças úmidas.
O teto da casa é branco.
Mas qual a cor
do telhado
da minha infância ?
Cor de telha,
a chuva espantada por acontecimentos
dentro da casa.
Venezianas.

A solidão de cada membro,
pendurada em varais de bambu.
A bromélia
no fundo do quintal,
com seu sorriso arregalado.

O meu silêncio
desenhando na terra
era ensurdecedor
para os membros.


Na hora do jantar,
segredos redondos e fundos como pratos.
Na hora do sono,
a percepção dos membros menores
em serem adultos,
resumia - se à simplesmente
não sermos.

Fantasmas espreitando coisas.
Os cachorros latiam
inexplicavelmente.

Hoje eu sei,
lembrando dos momentos de menino,
que os deslocamentos oníricos do desejo,
refletiam - se nas imagens nossas.
Travesseiros de eucalipto.
A casa da família,
escondida por uma fileira desses senhores.
As pernas de Deus.

Relembrar os momentos úmidos.
Sépias e sóis.

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