sábado, 18 de fevereiro de 2012

De dentro

Eu adoro caixas de sapato. De todas as marcas, cores, tipos. Não existe nada mais deliciosamente prosaico do que caixas de sapato. Abertas, fechadas, inteiras. Rasgadas. Caixas de sapato empoeiradas em cima do guarda-roupa encerram lembranças. Caixas de sapato onde se guardam documentos esquecidos. Caixas de sapato em que aparecem traças. Caixas de sapato são pequenos universos cotidianos,mas pode se abri-las sem receio, não são Pandora. Caixas em que se guardam cartas escritas a punho, remédios envelhecidos, fotografias, objetos inconfessáveis. Caixas de sapato são retangularmente poéticas, praticam o esconder - se. Ah, o mundo das caixas de sapato.
Acho que somos todos, humanos, um bando de caixas de sapato velhas se movimentando, um amontoado de lembranças que inevitávelmente se perderá com o tempo. Lindos sim, sublimes sim, mas ao mesmo tempo comuns, práticos, uniformes. Caixas de sapato me emocionam, porque são de dentro. Da verdade de dentro.
Da forja das sensações. E sépias.
Talvez o ideal seja esconder nossas mesquinharias em caixas de sapato. Elas neutralizam .

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