Vi.
Sábado ou não.
Todos os dias.
E todos os dias
desenho arestas que trapaceiam
que trapaceiam o olhar escuro
as planícies vazias de mim
o quadrado da minha janela
onde paro.
Há delírios.
E enxergo o horizonte estéril
dentro da casca.
O centro da situação sonhada
não sendo.
Existindo apenas
longe dos meus dedos.
Um Godard amarelado
na manhã de sábado
solidões e estalactites.
Cigarros, cinzeiros e xícaras sujas
natureza morta gordurosa e cotidiana.
Eles me olham, inalcançados.
Mas há o palpitar das linhas
das linhas retas e improcedentes
sob as linhas da minha mão.
( vou morrer antes dos 40, me disseram).
Inexiste a vontade de domesticar lembranças
coágulos de instantes.
Hipocampo.
O rosto implícito no interior da casca,
esqueço
o sentir sentado
sobre a bondade míope dele.
Ele me olha.
Inalcançado.
Há o plural não soletrado.
Meço,
enxáguo palavras
no receio do entendimento.
( Arbusto no escuro
olhos arregalados
dentro da casca)
Paredes
pedras
poços
o sintoma vagueando
e eu não consigo
se-lo.
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