domingo, 1 de abril de 2012

Entre nós

Entre nós
há distâncias
e chãos, portas, chaves,
cancelas, sombras, poemas,
espaços, esporros, esperas.
Nódoas.

Entre nós
Visões
do que poderia ter sido.
Miragens enquadradas em que nos perdemos
( e nos encontramos )
vestidos com a nudez.

Entre nós
há estradas
e sons, passos, Pessoas,
mágoas, vazios, casas,
equinócios, talheres, risos,
afetados pela quietude da estrada
praguejando ao sol do meio - dia.
Entreolhares.

Entre nós
Edros
cada face sendo uma palavra dita
com a facilidade com que abrimos uma torneira de manhã
para escovar os dentes.
Esquecidos nós
de cadarços sujos e sublimes que somos.
Pesos, ecos das palavras
ressoando em gargantas que,
( nós sabíamos )
não cairíamos.

Entre nós, então
A queda.

Entre nós
há prisões
e livros, sonhos, lapsos,
tormentos, mundos, ejaculações.
Sentidos implícitos e freudianismos mornos,
Máscaras.

Adentrar esse espaço
entre nós
para mim
instantes cinzas,
momentos Faber - Castell.

Adentrar esse espaço
entre nós
para você
instantes azuis,
a plena aceitação dos porões e sótãos.

Entre nós
nada mais poderia ter sido.

Entre nós
as contingências
resvalaram - se,
solidificaram - se,
liquefizeram - se
em código Braille,
cegos que fomos.
Agora tateamos
relevos de nós mesmos
ansiando significados.
Pomos.

Entre nós
o mundo.

Entre nós
Godot.

para Sérgyo

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