A lâmina do corpo dele
parada
diante da porta.
Antenas perfuram nosso equilíbrio.
Silêncios voam ágeis como lascas
estéreis
intrometendo palavras.
No rosto dele
o deslocamento
cínico
de uma aparência.
Como se o olhar dele segurasse o fluxo
das coisas
dos corpos
estendidos e imóveis
no ponto fixo.
Vejo os mamilos rosados dele
transbordando geometrias exatas
encostado no lavabo.
Vejo mamilos escuros
salgados,
são os meus, eles caminham na desobediência.
São os dele, são os meus
mergulhados no oceano branco do não existir.
Ele se veste
não há cigarros
há mentiras enroladas
em um maço
solitário
em cima
do sonho.
Há o reflexo da presença dele
na superfície zombeteira
do espelho
das palavras.
De longe, vem a subtração íntima que nos cala.
(um poema do Lorca
riscado à lápis
na parede branca)
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